Não se pode mais passear tranquilamente pelo shopping de Balneário Camboriú sem ser abordado por um vendedor empolgado no melhor estilo Polishop. A geringonça da vez era uma máquina de massagem que curiosamente você mesmo pode passar em seu corpo! Colega, de onde eu venho isso tem outro nome. Mas como sou metida eu aceitei a proposta do vendedor de ser cobaia do negócio.
O homem me colocou sentada na cadeia de tortura. Aí ele perguntou se eu sentia alguma dor. Pra quê tocar nesse assunto? Prontamente já apresentei minha personal fisio Ana Paula, que também tinha sido pega de surpresa. Expliquei que tinha escoliose, retificação cervical, preguicite aguda, dor no cérebro, amor platônico, cartão de crédito no limite. Já busquei tratamento, fiz RPG, pilates, acupuntura, hidroginástica, sessão descarrego, sexo tântrico ... Enquanto isso ele se gabava do aparelho milagroso que melhorava a circulação, diminuia o stress, trazia seu amor de volta em três dias e o mais duvidoso: tirava a celulite. “Não que você precise”, ele disse.
Como eu sou educada eu falei obrigada, mas como também sou realista não pude deixar de acrescentar: “eu sei que eu preciso”. Ah! Odeio vendedores que ficam querendo me iludir. Quantas vezes eu entro na loja e perguntam; é 38 pra ti, né? Vontade de dizer: minha filha, se eu usasse 38 eu não estaria com essa cara abatida de quem está fazendo abstinência de Big Mac!
"Você precisa liberar essa ansiedade", disse ele com a voz afeminada caracterizando todo o seu jeito de ser, mas se esforçando para dar uma de macho e me convencer. Desista baby, não é você que vai curar minha ansiedade.
Ele definitivamente não estava me levando a sério. Quando eu disse que era jornalista ele aumentou a potência do negócio. Vingança, na certa. Todo cara metido a alegre e simpático sempre quis ser jornalista pra trabalhar no TV Fama e ir nas festas de graça.
Eu já estava quase gritando quando ele parou de perfurar minhas costas com aquele treco disfarçado de massageador e quis testar em outras partes do meu corpo (calma gente, este é um blog familiar). Foi a vez da panturrilha. Eu fiquei imaginando o quão broxante pode ser oferecer uma massagem na panturrilha, quando de repente tive a minha natural crise de cócegas, onde um dos sintomas é moleza no corpo e risos involuntários que me impedem de reagir ao inimigo.
E como nada nesse mundo que tenha graça é fácil, ele perguntou se eu gostaria de levar um desse pra casa. Aham Cláudia, senta lá. Meus olhos não brilharam. Eu não pensei em como pude viver todo esse tempo sem um desses. Além do que eu não queria gastar “só” trezentos reais naquilo. Não sei se ele não entendeu bem a parte de que eu sou jornalista = não tenho dinheiro, mas eu usei a velha desculpa: “vou ver com a minha mãe”. Às vezes eu me pergunto até quando poderei usar essa desculpa.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
quarta-feira, 28 de julho de 2010
sábado, 17 de julho de 2010
Vida despenteada
Aqui estou, no sofá confortável, vendo qualquer coisa na tv, e é claro, com meu lindo pijama de vaca (obs: eu e Jéssica Feller chegamos à conclusão de que gostamos de vacas, elas até são sagradas em alguns lugares. Prometi não chamar mais as mulheres oferecidas que eu encontro por aí com o nome deste animal tão bonzinho. Isso inclui os adjetivos adicionais como: vaca leiteira manca, vaca malhada, vaca-louca e etc.).
Sei que o meu amigo Claudelicius não gosta muito de vacas porque elas produzem leite, que é ingrediente de muitos alimentos deliciosos e cheios de lactose... Aliás, preciso pegar o meu exame de tolerância e quem sabe dizer adeus aos maravilhosos produtos feitos com leite. Mas não é sobre vacas de que eu vim falar hoje (se você é uma, volte no amanhã).
Meu cabelo está horrível, minha pele está seca por causa do frio, meu estômago está embrulhado de tanta besteira que comi. Tá muito frio, lá fora chove, dormi demais e meu namorado não tá nem aí pra mim.
E quer saber? Tô muiiiito bem! Viver descabelada é para poucos. Pessoas que trabalham, estudam, vivem a vida rotineira não é sempre que podem se dar ao luxo de um dia de lixo. Por isso dou tanto valor a esses momentos só meu. Momentos que não preciso parecer nada além de despenteada. E com certeza isso não interfere no amor que minha família tem por mim. Eles nem ligam, sabem que amanhã ou depois eu vou me levantar, ligar o chuveiro, fazer uma sessão de SPA caseiro, colocar uma roupa confortável e partir pra correria do dia-a-dia.
Mas hoje, só hoje, vou viver esse prazer. Minhas amigas que me desculpem, mas não to afim de encher a cara ou ir em alguma boate gay dançar Lady Gaga alucinadamente. Meu namorado que me desculpe, mas já dizia minha tatatatatataravó: é o homem que tem que correr atrás.
E mesmo que ele quisesse me ver, hoje eu não quero me depilar, passar hidratante, secar a franja, colocar uma calcinha sexy e ficar namorando embaixo do edredom. Me recuso a sair do meu sofá! E me recuso a encontrar qualquer ser humano além da porta de minha casa nessa situação despenteada.
Ah, como é bom estar sozinha!
Sei que o meu amigo Claudelicius não gosta muito de vacas porque elas produzem leite, que é ingrediente de muitos alimentos deliciosos e cheios de lactose... Aliás, preciso pegar o meu exame de tolerância e quem sabe dizer adeus aos maravilhosos produtos feitos com leite. Mas não é sobre vacas de que eu vim falar hoje (se você é uma, volte no amanhã).
Meu cabelo está horrível, minha pele está seca por causa do frio, meu estômago está embrulhado de tanta besteira que comi. Tá muito frio, lá fora chove, dormi demais e meu namorado não tá nem aí pra mim.
E quer saber? Tô muiiiito bem! Viver descabelada é para poucos. Pessoas que trabalham, estudam, vivem a vida rotineira não é sempre que podem se dar ao luxo de um dia de lixo. Por isso dou tanto valor a esses momentos só meu. Momentos que não preciso parecer nada além de despenteada. E com certeza isso não interfere no amor que minha família tem por mim. Eles nem ligam, sabem que amanhã ou depois eu vou me levantar, ligar o chuveiro, fazer uma sessão de SPA caseiro, colocar uma roupa confortável e partir pra correria do dia-a-dia.
Mas hoje, só hoje, vou viver esse prazer. Minhas amigas que me desculpem, mas não to afim de encher a cara ou ir em alguma boate gay dançar Lady Gaga alucinadamente. Meu namorado que me desculpe, mas já dizia minha tatatatatataravó: é o homem que tem que correr atrás.
E mesmo que ele quisesse me ver, hoje eu não quero me depilar, passar hidratante, secar a franja, colocar uma calcinha sexy e ficar namorando embaixo do edredom. Me recuso a sair do meu sofá! E me recuso a encontrar qualquer ser humano além da porta de minha casa nessa situação despenteada.
Ah, como é bom estar sozinha!
sábado, 10 de julho de 2010
Mania de Explicação
é quando você se deixa levar pelas páginas de um livro
Geralmente as crianças gostam de perguntar o porquê das coisas, mas a personagem de Mania de Explicação (Salamandra, 2001), de Adriana Falcão, utiliza sua inocência e imaginação para explicar o significado das palavras a sua maneira. A autora é teatróloga e roteirista de programas de comédia da TV Globo como A Grande Família (2001) e O Auto da Compadecida (1999).
Quem poderia imaginar que a experiência de Adriana Falcão com humor para adultos pudesse contribuir para a publicação do seu primeiro livro infantil? Aliás, nesse caso, esse gênero se perde no senso comum de que é um tipo de livro só para crianças. A obra prova que não é preciso um estudo pedagógico para escrever para os pequenos. Aliás, a narrativa é adulta o bastante para fazer os mais grandinhos refletirem também.
Mais do que um dicionário poético, há no livro um sentido aberto para cada uma das frases apresentadas, que depende da visão de cada um. Ansiedade, Raiva, Culpa, Perdão, Vontade, Tristeza... Coisas simples, que todo mundo já conhece (mas que muitas vezes são difíceis de concretizá-las em uma frase) escapam da explicação formal, rígida e superficial, deixando de ser sentimentos abstratos para se tornarem poesia. Afinal, como se poderia explicar para um ser tão descompromissado com o mundo adulto o que são essas palavras, senão induzindo à imaginação?
Com a pureza da infância a menina explica, por exemplo, que “preocupação é uma cola que não deixa o que não aconteceu ainda sair de seu pensamento”, de uma forma tão profunda, como só uma criança é capaz de enxergar.
Justamente porque não se pode limitar a imaginação de quem lê, essa liberdade de pensamento faz com que as explicações da personagem causem melhor resultado se foram sentidas ou criadas pela mente, do que realmente explicadas com todas as letras do alfabeto.
As 45 páginas foram ilustradas por Mariana Massarani, mas podem ser confundidas com telas pintadas a mão com a tinta ainda fresca. Essa naturalidade nos traços é uma característica da desenhista e, além disso, as figuras não seguem a risca o que é indicado no texto, deixando a interpretação de quem ler ir além do óbvio.
Essa união de imagem e texto envolvente é um convite para esquecer os conceitos pré-definidos dos sentimentos do mundo e se deixar levar pela leveza que foi esquecida ainda na infância. Porém, uma das palavras se destaca das demais por sua complexidade: o amor.
Só para este sentimento há inúmeras alternativas de explicação e a menina da Adriana Falcão deixa esta dúvida tão difícil para o final, justamente porque é preciso passar por tantas outras frustrações e sofrimentos antes de entendê-lo.
FALCÃO, Adriana. Mania de explicação. São Paulo: Salamandra, 2001.
A resenha também foi publicada no blog da Prolij. Confira!
Geralmente as crianças gostam de perguntar o porquê das coisas, mas a personagem de Mania de Explicação (Salamandra, 2001), de Adriana Falcão, utiliza sua inocência e imaginação para explicar o significado das palavras a sua maneira. A autora é teatróloga e roteirista de programas de comédia da TV Globo como A Grande Família (2001) e O Auto da Compadecida (1999).
Quem poderia imaginar que a experiência de Adriana Falcão com humor para adultos pudesse contribuir para a publicação do seu primeiro livro infantil? Aliás, nesse caso, esse gênero se perde no senso comum de que é um tipo de livro só para crianças. A obra prova que não é preciso um estudo pedagógico para escrever para os pequenos. Aliás, a narrativa é adulta o bastante para fazer os mais grandinhos refletirem também.
Mais do que um dicionário poético, há no livro um sentido aberto para cada uma das frases apresentadas, que depende da visão de cada um. Ansiedade, Raiva, Culpa, Perdão, Vontade, Tristeza... Coisas simples, que todo mundo já conhece (mas que muitas vezes são difíceis de concretizá-las em uma frase) escapam da explicação formal, rígida e superficial, deixando de ser sentimentos abstratos para se tornarem poesia. Afinal, como se poderia explicar para um ser tão descompromissado com o mundo adulto o que são essas palavras, senão induzindo à imaginação?
Com a pureza da infância a menina explica, por exemplo, que “preocupação é uma cola que não deixa o que não aconteceu ainda sair de seu pensamento”, de uma forma tão profunda, como só uma criança é capaz de enxergar.
Justamente porque não se pode limitar a imaginação de quem lê, essa liberdade de pensamento faz com que as explicações da personagem causem melhor resultado se foram sentidas ou criadas pela mente, do que realmente explicadas com todas as letras do alfabeto.
As 45 páginas foram ilustradas por Mariana Massarani, mas podem ser confundidas com telas pintadas a mão com a tinta ainda fresca. Essa naturalidade nos traços é uma característica da desenhista e, além disso, as figuras não seguem a risca o que é indicado no texto, deixando a interpretação de quem ler ir além do óbvio.
Essa união de imagem e texto envolvente é um convite para esquecer os conceitos pré-definidos dos sentimentos do mundo e se deixar levar pela leveza que foi esquecida ainda na infância. Porém, uma das palavras se destaca das demais por sua complexidade: o amor.
Só para este sentimento há inúmeras alternativas de explicação e a menina da Adriana Falcão deixa esta dúvida tão difícil para o final, justamente porque é preciso passar por tantas outras frustrações e sofrimentos antes de entendê-lo.
FALCÃO, Adriana. Mania de explicação. São Paulo: Salamandra, 2001.
A resenha também foi publicada no blog da Prolij. Confira!
sexta-feira, 9 de julho de 2010
O presente mais importante
Sem criatividade por hoje. Estou meio sentimental, logo não posso me concentrar. Vamos aos rascunhos antigos que tenho por aqui guardados na gaveta(isso é muito mais romântico que dizer que meus textos ficam mesmo é na pasta Meus documentos).
...
- Feche os olhos.
Então ele a guiou até a porta.
- Já pode abrir. Apenas um sorriso foi a resposta dela.
- Já deram-lhe presente mais bonito? Devo pedir desculpas, não tenho direito sobre ela, mas...
- Nem seria justo.
- Mas você não parece contente, tem certeza que gostou?
- Tenho. Só vou ficar triste quando acordar e perceber que o meu presente se foi.
Então ela fez questão de esperar pela lua todas as noites e não adormecer nunca mais.
...
- Feche os olhos.
Então ele a guiou até a porta.
- Já pode abrir. Apenas um sorriso foi a resposta dela.
- Já deram-lhe presente mais bonito? Devo pedir desculpas, não tenho direito sobre ela, mas...
- Nem seria justo.
- Mas você não parece contente, tem certeza que gostou?
- Tenho. Só vou ficar triste quando acordar e perceber que o meu presente se foi.
Então ela fez questão de esperar pela lua todas as noites e não adormecer nunca mais.
terça-feira, 6 de julho de 2010
5 sinais que indicam que seu emprego é uma bosta
Obs: esse post não tem nada de científico - é puro achismo experimental.
- Você trabalha mais e ganha menos que seu “superior” (isso não inclui o chefe que te paga que tem certo direito de ficar coçando enquanto você se ferra);
- Você percebe aquele clima tenso entre os outros funcionários quando você lê uma notícia da sessão “bizarra” de algum site;
- Ninguém no seu trabalho usa o orkut, facebook, youtube, twitter e outros mecanismos fundamentais para o tédio cotidiano;
- A escravidão é vista como única forma de sucesso. Não incentivam sua vida pessoal, desenvolvimento intelectual, sua vontade de se especializar, estudar, fazer cursos... Logo, você deve trabalhar em período integral e é isso que importa.
- Quando termina o expediente você dá um suspiro de alívio e percebe que aquele dia não acrescentou em nada na sua vida;
- Você trabalha mais e ganha menos que seu “superior” (isso não inclui o chefe que te paga que tem certo direito de ficar coçando enquanto você se ferra);
- Você percebe aquele clima tenso entre os outros funcionários quando você lê uma notícia da sessão “bizarra” de algum site;
- Ninguém no seu trabalho usa o orkut, facebook, youtube, twitter e outros mecanismos fundamentais para o tédio cotidiano;
- A escravidão é vista como única forma de sucesso. Não incentivam sua vida pessoal, desenvolvimento intelectual, sua vontade de se especializar, estudar, fazer cursos... Logo, você deve trabalhar em período integral e é isso que importa.
- Quando termina o expediente você dá um suspiro de alívio e percebe que aquele dia não acrescentou em nada na sua vida;
Boas notícias
Sobrevivi aos contratempos da última semana. E não é que meu post sobre "ser metida" deu certo? Vou começar a trabalhar em um jornal amanhã a tarde. Só um detalhe: registrada como jornalista (oooooooh é um milagre!).
Jornal diário é aquela adrenalina. Nunca me esqueço da primeira vez que comecei em uma redação, aquilo tudo era tão mágico pra mim. Claro que depois eu caí na real e vi que não era tão maravilhoso quanto eu imaginava (em breve vocês vão ler meus desabafos aqui).
Agora, com minha graduação vou poder mostrar ao mundo tudo o que sei fazer (nem tudo, vamos com calma). E sabe o que melhor? Não vou precisar me matar pra fazer a prova do Tribunal de Justiça (não que eu realmente achasse que passaria nesse concurso) para poder bancar minha pós-graduação e futilidades a parte. Mas enfim, vou poder fazer o que eu amo, continuar com meus projetos paralelos e ser feliz.
Na realidade eu tô enrolando porque eu perdi o texto que ia publicar aqui. Mas isso é o de menos. Volto com algo mais legal. Eu ia dizer útil, mas seria injusto com vocês. Todo mundo precisa de um pouquinho de conversa sem sentido.
Jornal diário é aquela adrenalina. Nunca me esqueço da primeira vez que comecei em uma redação, aquilo tudo era tão mágico pra mim. Claro que depois eu caí na real e vi que não era tão maravilhoso quanto eu imaginava (em breve vocês vão ler meus desabafos aqui).
Agora, com minha graduação vou poder mostrar ao mundo tudo o que sei fazer (nem tudo, vamos com calma). E sabe o que melhor? Não vou precisar me matar pra fazer a prova do Tribunal de Justiça (não que eu realmente achasse que passaria nesse concurso) para poder bancar minha pós-graduação e futilidades a parte. Mas enfim, vou poder fazer o que eu amo, continuar com meus projetos paralelos e ser feliz.
Na realidade eu tô enrolando porque eu perdi o texto que ia publicar aqui. Mas isso é o de menos. Volto com algo mais legal. Eu ia dizer útil, mas seria injusto com vocês. Todo mundo precisa de um pouquinho de conversa sem sentido.
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