Aqui estou, no sofá confortável, vendo qualquer coisa na tv, e é claro, com meu lindo pijama de vaca (obs: eu e Jéssica Feller chegamos à conclusão de que gostamos de vacas, elas até são sagradas em alguns lugares. Prometi não chamar mais as mulheres oferecidas que eu encontro por aí com o nome deste animal tão bonzinho. Isso inclui os adjetivos adicionais como: vaca leiteira manca, vaca malhada, vaca-louca e etc.).
Sei que o meu amigo Claudelicius não gosta muito de vacas porque elas produzem leite, que é ingrediente de muitos alimentos deliciosos e cheios de lactose... Aliás, preciso pegar o meu exame de tolerância e quem sabe dizer adeus aos maravilhosos produtos feitos com leite. Mas não é sobre vacas de que eu vim falar hoje (se você é uma, volte no amanhã).
Meu cabelo está horrível, minha pele está seca por causa do frio, meu estômago está embrulhado de tanta besteira que comi. Tá muito frio, lá fora chove, dormi demais e meu namorado não tá nem aí pra mim.
E quer saber? Tô muiiiito bem! Viver descabelada é para poucos. Pessoas que trabalham, estudam, vivem a vida rotineira não é sempre que podem se dar ao luxo de um dia de lixo. Por isso dou tanto valor a esses momentos só meu. Momentos que não preciso parecer nada além de despenteada. E com certeza isso não interfere no amor que minha família tem por mim. Eles nem ligam, sabem que amanhã ou depois eu vou me levantar, ligar o chuveiro, fazer uma sessão de SPA caseiro, colocar uma roupa confortável e partir pra correria do dia-a-dia.
Mas hoje, só hoje, vou viver esse prazer. Minhas amigas que me desculpem, mas não to afim de encher a cara ou ir em alguma boate gay dançar Lady Gaga alucinadamente. Meu namorado que me desculpe, mas já dizia minha tatatatatataravó: é o homem que tem que correr atrás.
E mesmo que ele quisesse me ver, hoje eu não quero me depilar, passar hidratante, secar a franja, colocar uma calcinha sexy e ficar namorando embaixo do edredom. Me recuso a sair do meu sofá! E me recuso a encontrar qualquer ser humano além da porta de minha casa nessa situação despenteada.
Ah, como é bom estar sozinha!
sábado, 17 de julho de 2010
sábado, 10 de julho de 2010
Mania de Explicação
é quando você se deixa levar pelas páginas de um livro
Geralmente as crianças gostam de perguntar o porquê das coisas, mas a personagem de Mania de Explicação (Salamandra, 2001), de Adriana Falcão, utiliza sua inocência e imaginação para explicar o significado das palavras a sua maneira. A autora é teatróloga e roteirista de programas de comédia da TV Globo como A Grande Família (2001) e O Auto da Compadecida (1999).
Quem poderia imaginar que a experiência de Adriana Falcão com humor para adultos pudesse contribuir para a publicação do seu primeiro livro infantil? Aliás, nesse caso, esse gênero se perde no senso comum de que é um tipo de livro só para crianças. A obra prova que não é preciso um estudo pedagógico para escrever para os pequenos. Aliás, a narrativa é adulta o bastante para fazer os mais grandinhos refletirem também.
Mais do que um dicionário poético, há no livro um sentido aberto para cada uma das frases apresentadas, que depende da visão de cada um. Ansiedade, Raiva, Culpa, Perdão, Vontade, Tristeza... Coisas simples, que todo mundo já conhece (mas que muitas vezes são difíceis de concretizá-las em uma frase) escapam da explicação formal, rígida e superficial, deixando de ser sentimentos abstratos para se tornarem poesia. Afinal, como se poderia explicar para um ser tão descompromissado com o mundo adulto o que são essas palavras, senão induzindo à imaginação?
Com a pureza da infância a menina explica, por exemplo, que “preocupação é uma cola que não deixa o que não aconteceu ainda sair de seu pensamento”, de uma forma tão profunda, como só uma criança é capaz de enxergar.
Justamente porque não se pode limitar a imaginação de quem lê, essa liberdade de pensamento faz com que as explicações da personagem causem melhor resultado se foram sentidas ou criadas pela mente, do que realmente explicadas com todas as letras do alfabeto.
As 45 páginas foram ilustradas por Mariana Massarani, mas podem ser confundidas com telas pintadas a mão com a tinta ainda fresca. Essa naturalidade nos traços é uma característica da desenhista e, além disso, as figuras não seguem a risca o que é indicado no texto, deixando a interpretação de quem ler ir além do óbvio.
Essa união de imagem e texto envolvente é um convite para esquecer os conceitos pré-definidos dos sentimentos do mundo e se deixar levar pela leveza que foi esquecida ainda na infância. Porém, uma das palavras se destaca das demais por sua complexidade: o amor.
Só para este sentimento há inúmeras alternativas de explicação e a menina da Adriana Falcão deixa esta dúvida tão difícil para o final, justamente porque é preciso passar por tantas outras frustrações e sofrimentos antes de entendê-lo.
FALCÃO, Adriana. Mania de explicação. São Paulo: Salamandra, 2001.
A resenha também foi publicada no blog da Prolij. Confira!
Geralmente as crianças gostam de perguntar o porquê das coisas, mas a personagem de Mania de Explicação (Salamandra, 2001), de Adriana Falcão, utiliza sua inocência e imaginação para explicar o significado das palavras a sua maneira. A autora é teatróloga e roteirista de programas de comédia da TV Globo como A Grande Família (2001) e O Auto da Compadecida (1999).
Quem poderia imaginar que a experiência de Adriana Falcão com humor para adultos pudesse contribuir para a publicação do seu primeiro livro infantil? Aliás, nesse caso, esse gênero se perde no senso comum de que é um tipo de livro só para crianças. A obra prova que não é preciso um estudo pedagógico para escrever para os pequenos. Aliás, a narrativa é adulta o bastante para fazer os mais grandinhos refletirem também.
Mais do que um dicionário poético, há no livro um sentido aberto para cada uma das frases apresentadas, que depende da visão de cada um. Ansiedade, Raiva, Culpa, Perdão, Vontade, Tristeza... Coisas simples, que todo mundo já conhece (mas que muitas vezes são difíceis de concretizá-las em uma frase) escapam da explicação formal, rígida e superficial, deixando de ser sentimentos abstratos para se tornarem poesia. Afinal, como se poderia explicar para um ser tão descompromissado com o mundo adulto o que são essas palavras, senão induzindo à imaginação?
Com a pureza da infância a menina explica, por exemplo, que “preocupação é uma cola que não deixa o que não aconteceu ainda sair de seu pensamento”, de uma forma tão profunda, como só uma criança é capaz de enxergar.
Justamente porque não se pode limitar a imaginação de quem lê, essa liberdade de pensamento faz com que as explicações da personagem causem melhor resultado se foram sentidas ou criadas pela mente, do que realmente explicadas com todas as letras do alfabeto.
As 45 páginas foram ilustradas por Mariana Massarani, mas podem ser confundidas com telas pintadas a mão com a tinta ainda fresca. Essa naturalidade nos traços é uma característica da desenhista e, além disso, as figuras não seguem a risca o que é indicado no texto, deixando a interpretação de quem ler ir além do óbvio.
Essa união de imagem e texto envolvente é um convite para esquecer os conceitos pré-definidos dos sentimentos do mundo e se deixar levar pela leveza que foi esquecida ainda na infância. Porém, uma das palavras se destaca das demais por sua complexidade: o amor.
Só para este sentimento há inúmeras alternativas de explicação e a menina da Adriana Falcão deixa esta dúvida tão difícil para o final, justamente porque é preciso passar por tantas outras frustrações e sofrimentos antes de entendê-lo.
FALCÃO, Adriana. Mania de explicação. São Paulo: Salamandra, 2001.
A resenha também foi publicada no blog da Prolij. Confira!
sexta-feira, 9 de julho de 2010
O presente mais importante
Sem criatividade por hoje. Estou meio sentimental, logo não posso me concentrar. Vamos aos rascunhos antigos que tenho por aqui guardados na gaveta(isso é muito mais romântico que dizer que meus textos ficam mesmo é na pasta Meus documentos).
...
- Feche os olhos.
Então ele a guiou até a porta.
- Já pode abrir. Apenas um sorriso foi a resposta dela.
- Já deram-lhe presente mais bonito? Devo pedir desculpas, não tenho direito sobre ela, mas...
- Nem seria justo.
- Mas você não parece contente, tem certeza que gostou?
- Tenho. Só vou ficar triste quando acordar e perceber que o meu presente se foi.
Então ela fez questão de esperar pela lua todas as noites e não adormecer nunca mais.
...
- Feche os olhos.
Então ele a guiou até a porta.
- Já pode abrir. Apenas um sorriso foi a resposta dela.
- Já deram-lhe presente mais bonito? Devo pedir desculpas, não tenho direito sobre ela, mas...
- Nem seria justo.
- Mas você não parece contente, tem certeza que gostou?
- Tenho. Só vou ficar triste quando acordar e perceber que o meu presente se foi.
Então ela fez questão de esperar pela lua todas as noites e não adormecer nunca mais.
terça-feira, 6 de julho de 2010
5 sinais que indicam que seu emprego é uma bosta
Obs: esse post não tem nada de científico - é puro achismo experimental.
- Você trabalha mais e ganha menos que seu “superior” (isso não inclui o chefe que te paga que tem certo direito de ficar coçando enquanto você se ferra);
- Você percebe aquele clima tenso entre os outros funcionários quando você lê uma notícia da sessão “bizarra” de algum site;
- Ninguém no seu trabalho usa o orkut, facebook, youtube, twitter e outros mecanismos fundamentais para o tédio cotidiano;
- A escravidão é vista como única forma de sucesso. Não incentivam sua vida pessoal, desenvolvimento intelectual, sua vontade de se especializar, estudar, fazer cursos... Logo, você deve trabalhar em período integral e é isso que importa.
- Quando termina o expediente você dá um suspiro de alívio e percebe que aquele dia não acrescentou em nada na sua vida;
- Você trabalha mais e ganha menos que seu “superior” (isso não inclui o chefe que te paga que tem certo direito de ficar coçando enquanto você se ferra);
- Você percebe aquele clima tenso entre os outros funcionários quando você lê uma notícia da sessão “bizarra” de algum site;
- Ninguém no seu trabalho usa o orkut, facebook, youtube, twitter e outros mecanismos fundamentais para o tédio cotidiano;
- A escravidão é vista como única forma de sucesso. Não incentivam sua vida pessoal, desenvolvimento intelectual, sua vontade de se especializar, estudar, fazer cursos... Logo, você deve trabalhar em período integral e é isso que importa.
- Quando termina o expediente você dá um suspiro de alívio e percebe que aquele dia não acrescentou em nada na sua vida;
Boas notícias
Sobrevivi aos contratempos da última semana. E não é que meu post sobre "ser metida" deu certo? Vou começar a trabalhar em um jornal amanhã a tarde. Só um detalhe: registrada como jornalista (oooooooh é um milagre!).
Jornal diário é aquela adrenalina. Nunca me esqueço da primeira vez que comecei em uma redação, aquilo tudo era tão mágico pra mim. Claro que depois eu caí na real e vi que não era tão maravilhoso quanto eu imaginava (em breve vocês vão ler meus desabafos aqui).
Agora, com minha graduação vou poder mostrar ao mundo tudo o que sei fazer (nem tudo, vamos com calma). E sabe o que melhor? Não vou precisar me matar pra fazer a prova do Tribunal de Justiça (não que eu realmente achasse que passaria nesse concurso) para poder bancar minha pós-graduação e futilidades a parte. Mas enfim, vou poder fazer o que eu amo, continuar com meus projetos paralelos e ser feliz.
Na realidade eu tô enrolando porque eu perdi o texto que ia publicar aqui. Mas isso é o de menos. Volto com algo mais legal. Eu ia dizer útil, mas seria injusto com vocês. Todo mundo precisa de um pouquinho de conversa sem sentido.
Jornal diário é aquela adrenalina. Nunca me esqueço da primeira vez que comecei em uma redação, aquilo tudo era tão mágico pra mim. Claro que depois eu caí na real e vi que não era tão maravilhoso quanto eu imaginava (em breve vocês vão ler meus desabafos aqui).
Agora, com minha graduação vou poder mostrar ao mundo tudo o que sei fazer (nem tudo, vamos com calma). E sabe o que melhor? Não vou precisar me matar pra fazer a prova do Tribunal de Justiça (não que eu realmente achasse que passaria nesse concurso) para poder bancar minha pós-graduação e futilidades a parte. Mas enfim, vou poder fazer o que eu amo, continuar com meus projetos paralelos e ser feliz.
Na realidade eu tô enrolando porque eu perdi o texto que ia publicar aqui. Mas isso é o de menos. Volto com algo mais legal. Eu ia dizer útil, mas seria injusto com vocês. Todo mundo precisa de um pouquinho de conversa sem sentido.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Terça-feira é dia de começar a se exercitar!
Estava tudo pronto. Já tinha vestido meu maiô que há 7 anos estava guardado no armário, desde o tempo em que eu fazia aulas de natação. Mas quando cheguei na minha mais nova empreitada rumo a uma vida saudável, não imaginava que fosse tão difícil.
Fui incentivada pela minha mãe, que mudou de vida depois que começou a dar os pulinhos dentro d água. E lá fui eu seguir a nova religião dela e de suas amigas: a hidroginástica. “Coisa de velha”, vocês devem estar pensando. Pois a única velha que tinha ontem lá na academia era eu.
Acredito que pela idade eu era a mais jovem no recinto. Só de idade, porque em apenas dois minutos eu percebi que meu estado físico era muito pior do que minhas colegas.
Já no aquecimento as outras pessoas me olhavam com risinhos simpáticos de apoio do tipo: “é isso aí, logo você ficará bem como nós”. Foi aí que caiu a ficha. Eu estava com o rosto completamente vermelho. Isso é comum em pessoas brancas (veja minha foto ali ao lado), principalmente quando começam a se mexer. Elas deviam achar que eu estava morrendo, ia enfartar, pedir pra sair... Mas, a não ser que tivesse um professor muito gato que eu conheço, eu não me renderia à respiração boca-a-boca.
Eu estava decidida, não iria me entregar! Sentia meu corpo esquentar e minha cabeça suar - e a temperatura não estava nem morna. A pressão na cabeça começou a incomodar – um dos motivos de eu ter abandonado a academia há cinco meses. Eu respirei fundo, olhei para a minha mãe e ela, como de costume, aproveitava para corrigir meus passos. Antigamente era eu quem dava as dicas para se exercitar, mas o feitiço havia virado contra o feiticeiro.
Quando eu pensei que já havia pagado pelo pecado da gula dos últimos meses a professora avisou para irmos para a barra ao lado da piscina. Achei que era a hora do alongamento. Péssimo engano! Mais exercícios e mais rápido. A “prof” não perdoava nem as mais idosas – como eu. Quando eu já estava anestesiada de cansaço surgiu uma luz: hora do relaxamento. Era um verdadeiro milagre. Eu sobrevivi!
No banheiro aquela mulherada pelada trocando de roupa. Ótimo, quem foi mesmo que me convidou? Mas preciso admitir que muitas delas, na faixa dos 50 anos, tinham o corpo em ótima forma. Parece que celulite é algo que só pertence à geração coca-cola. É o fim dos tempos! Muita injustiça por parte da natureza...
Eu queria perguntar o segredo para isso, mas fiquei com vergonha de parecer debochada ou elas me responderem: “Pitanguy querida!”. Prefiro acreditar que aos 20 e poucos anos elas resolveram mudar de vida e hoje colhem os resultados de tanto esforço.
Apesar da enxaqueca e da dor na panturrilha, eu não desisto assim tão fácil meu amor das coisas que eu quero fazer e ainda não fiz lálálá. Hoje até comprei um maiô novo. Se eu não voltar a postar, vocês já sabem o que aconteceu...
Fui incentivada pela minha mãe, que mudou de vida depois que começou a dar os pulinhos dentro d água. E lá fui eu seguir a nova religião dela e de suas amigas: a hidroginástica. “Coisa de velha”, vocês devem estar pensando. Pois a única velha que tinha ontem lá na academia era eu.
Acredito que pela idade eu era a mais jovem no recinto. Só de idade, porque em apenas dois minutos eu percebi que meu estado físico era muito pior do que minhas colegas.
Já no aquecimento as outras pessoas me olhavam com risinhos simpáticos de apoio do tipo: “é isso aí, logo você ficará bem como nós”. Foi aí que caiu a ficha. Eu estava com o rosto completamente vermelho. Isso é comum em pessoas brancas (veja minha foto ali ao lado), principalmente quando começam a se mexer. Elas deviam achar que eu estava morrendo, ia enfartar, pedir pra sair... Mas, a não ser que tivesse um professor muito gato que eu conheço, eu não me renderia à respiração boca-a-boca.
Eu estava decidida, não iria me entregar! Sentia meu corpo esquentar e minha cabeça suar - e a temperatura não estava nem morna. A pressão na cabeça começou a incomodar – um dos motivos de eu ter abandonado a academia há cinco meses. Eu respirei fundo, olhei para a minha mãe e ela, como de costume, aproveitava para corrigir meus passos. Antigamente era eu quem dava as dicas para se exercitar, mas o feitiço havia virado contra o feiticeiro.
Quando eu pensei que já havia pagado pelo pecado da gula dos últimos meses a professora avisou para irmos para a barra ao lado da piscina. Achei que era a hora do alongamento. Péssimo engano! Mais exercícios e mais rápido. A “prof” não perdoava nem as mais idosas – como eu. Quando eu já estava anestesiada de cansaço surgiu uma luz: hora do relaxamento. Era um verdadeiro milagre. Eu sobrevivi!
No banheiro aquela mulherada pelada trocando de roupa. Ótimo, quem foi mesmo que me convidou? Mas preciso admitir que muitas delas, na faixa dos 50 anos, tinham o corpo em ótima forma. Parece que celulite é algo que só pertence à geração coca-cola. É o fim dos tempos! Muita injustiça por parte da natureza...
Eu queria perguntar o segredo para isso, mas fiquei com vergonha de parecer debochada ou elas me responderem: “Pitanguy querida!”. Prefiro acreditar que aos 20 e poucos anos elas resolveram mudar de vida e hoje colhem os resultados de tanto esforço.
Apesar da enxaqueca e da dor na panturrilha, eu não desisto assim tão fácil meu amor das coisas que eu quero fazer e ainda não fiz lálálá. Hoje até comprei um maiô novo. Se eu não voltar a postar, vocês já sabem o que aconteceu...
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Minha vida de Barbie
É muita coragem admitir minha ignorância ao achar que a Barbie realmente tinha 120 profissões. Aos cinco anos de idade a gente leva tudo ao pé da letra! Não tenho culpa, ninguém me explicou que a boneca foi feita em várias versões – e não que a Barbie como pessoa tinha inúmeros talentos e conhecimentos. Eu achava que ela tinha sido feita à imagem e semelhança de alguém real, que podia ser desde uma astronauta até uma sereia.
O mundo da Barbie era fantástico. Qual menina não sonhava em morar naquela enorme casa toda cor-de-rosa, ter um namorado lindo como o Ken e os cabelos sempre brilhantes? Nas brincadeiras (minha e das minhas amigas, pelo menos) a gente sempre se casava aos 18 anos e era rica, famosa e tinha inúmeras aptidões. Sabíamos cozinhar, tínhamos roupas lindas e, mesmo que já tivéssemos uma certa idade, não precisávamos de cirurgia plástica.
A Barbie tinha carros conversíveis, cavalos lilás, vestidos esvoaçantes (que mais tarde foram inconscientemente uma inspiração para as festas de 15 anos). Ela era o reflexo de uma sociedade que mudava aos poucos. Um novo mundo que queria ver suas crianças com realidades diferentes das suas mães, que começavam a sair de casa para trabalhar, mas que fossem ainda mais consumistas, fashionistas, vaidosas e sensuais.
A Barbie era a projeção da mulher contemporânea perfeita, com carreira, beleza, sucesso, dinheiro... Apesar de todo o machismo por trás deste ideal, ela fazia seu papel de dominadora tendo um “homem” ao seu lado que parecia mais um objeto, um amante, um go-go boy, um gigolô.
A Barbie também participava dos nossos sonhos mais impossíveis. Ela poderia ser princesa, havaiana, bailarina, tudo tão romântico e sedutor, como a visão que se idealiza das mulheres. Tudo isso sem esquecer da cintura fina, os cabelos loiros, a pele branca, a maquiagem e o salto alto. Suas amigas eram tão fantásticas como ela, mas não superiores. O importante mesmo era ser a Barbie! Ela sempre fazia o bem, sabia cantar, dançar, desfilar, ser miss e zelar pela paz mundial. Era um exemplo! Se não fosse uma boneca, mereceria um prêmio Nobel.
Muitos anos e suspiros depois quebrei a cara quando descobri que não me casaria aos 18 anos nem se fosse com o príncipe William. Mas essa injeção de realidade aconteceu suavemente. Primeiro, não ganhei um carro quando sai da escola. As roupas justas e decotadas não se adequavam ao meu corpo de menina fora dos padrões e mulher em ascensão.
Depois, um trabalho tão comum como o de garçonete, vendedora ou cabeleireira não me traria independência financeira: eu ainda moraria com meus pais por muitos anos. O Ken era um mito. Todas as qualidades criadas para ele eram uma ilusão de menina. Na vida real não era tão simples ter um namorado, um vestido cor-de-rosa ou um diploma universitário. Para ser veterinária era preciso muito mais do que uma embalagem da Estrela com o consultório prontinho lá dentro.
A Barbie não tinha passado pela primeira paixão, o primeiro beijo, a primeira vez e já vinha com vestido de noiva, véu e grinalda. Ela não passou pelas fazes em que a gente chora por um amor platônico, faz testes de revista e fica com vergonha de colocar biquíni na viagem com a turma da escola.
Hoje, no auge dos meus 20 e pouquinhos anos, poucas mechas loiras, marcas de espinhas, alguns Kens, uma profissão, uma dúzia de trabalhos e o carro emprestado da minha mãe, sei que não precisaria dessa vida de Barbie para mim.
A boneca perfeita estava sempre com um sorriso de angústia, fingindo uma felicidade de plástico, vendendo um estilo de vida inútil e impossível. Algo tão traumatizante quanto descobrir que as bonecas não vinham junto com a mesa de jantar, como mostrava na caixa do brinquedo. Ou ainda tão constrangedor quanto ganhar um exemplar do Paraguai no Natal.
E tem mais: a Barbie nem sequer teve infância! Ela foi definitivamente infeliz, coitada.
O mundo da Barbie era fantástico. Qual menina não sonhava em morar naquela enorme casa toda cor-de-rosa, ter um namorado lindo como o Ken e os cabelos sempre brilhantes? Nas brincadeiras (minha e das minhas amigas, pelo menos) a gente sempre se casava aos 18 anos e era rica, famosa e tinha inúmeras aptidões. Sabíamos cozinhar, tínhamos roupas lindas e, mesmo que já tivéssemos uma certa idade, não precisávamos de cirurgia plástica.
A Barbie tinha carros conversíveis, cavalos lilás, vestidos esvoaçantes (que mais tarde foram inconscientemente uma inspiração para as festas de 15 anos). Ela era o reflexo de uma sociedade que mudava aos poucos. Um novo mundo que queria ver suas crianças com realidades diferentes das suas mães, que começavam a sair de casa para trabalhar, mas que fossem ainda mais consumistas, fashionistas, vaidosas e sensuais.
A Barbie era a projeção da mulher contemporânea perfeita, com carreira, beleza, sucesso, dinheiro... Apesar de todo o machismo por trás deste ideal, ela fazia seu papel de dominadora tendo um “homem” ao seu lado que parecia mais um objeto, um amante, um go-go boy, um gigolô.
A Barbie também participava dos nossos sonhos mais impossíveis. Ela poderia ser princesa, havaiana, bailarina, tudo tão romântico e sedutor, como a visão que se idealiza das mulheres. Tudo isso sem esquecer da cintura fina, os cabelos loiros, a pele branca, a maquiagem e o salto alto. Suas amigas eram tão fantásticas como ela, mas não superiores. O importante mesmo era ser a Barbie! Ela sempre fazia o bem, sabia cantar, dançar, desfilar, ser miss e zelar pela paz mundial. Era um exemplo! Se não fosse uma boneca, mereceria um prêmio Nobel.
Muitos anos e suspiros depois quebrei a cara quando descobri que não me casaria aos 18 anos nem se fosse com o príncipe William. Mas essa injeção de realidade aconteceu suavemente. Primeiro, não ganhei um carro quando sai da escola. As roupas justas e decotadas não se adequavam ao meu corpo de menina fora dos padrões e mulher em ascensão.
Depois, um trabalho tão comum como o de garçonete, vendedora ou cabeleireira não me traria independência financeira: eu ainda moraria com meus pais por muitos anos. O Ken era um mito. Todas as qualidades criadas para ele eram uma ilusão de menina. Na vida real não era tão simples ter um namorado, um vestido cor-de-rosa ou um diploma universitário. Para ser veterinária era preciso muito mais do que uma embalagem da Estrela com o consultório prontinho lá dentro.
A Barbie não tinha passado pela primeira paixão, o primeiro beijo, a primeira vez e já vinha com vestido de noiva, véu e grinalda. Ela não passou pelas fazes em que a gente chora por um amor platônico, faz testes de revista e fica com vergonha de colocar biquíni na viagem com a turma da escola.
Hoje, no auge dos meus 20 e pouquinhos anos, poucas mechas loiras, marcas de espinhas, alguns Kens, uma profissão, uma dúzia de trabalhos e o carro emprestado da minha mãe, sei que não precisaria dessa vida de Barbie para mim.
A boneca perfeita estava sempre com um sorriso de angústia, fingindo uma felicidade de plástico, vendendo um estilo de vida inútil e impossível. Algo tão traumatizante quanto descobrir que as bonecas não vinham junto com a mesa de jantar, como mostrava na caixa do brinquedo. Ou ainda tão constrangedor quanto ganhar um exemplar do Paraguai no Natal.
E tem mais: a Barbie nem sequer teve infância! Ela foi definitivamente infeliz, coitada.
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