quinta-feira, 28 de junho de 2012

Vontades





Vontade de um dia inteiro pra espreguiçar
pra ficar de pernas pro ar e esquecer o cansaço da esperaDesejar que logo amanheçaa cidade ganhe formae as pessoas na ruafaçam dobrar a solidão
Vontade de um sono profundo
sem interrupções
Um sonho, uma pílula, uma proteção
pra enfrentar a insônia
Encher a cabeça de coisas sem nexo
fingir que há importância em fatos banais
disfarçar a vontade de que o dia passe rápido
mais uma vez e depressa
Vontade de banho de chuva
chocolate, mãos dadas, abraço de madrugada
o vento que bagunça os cabelos na beira do mar
para se fazer repetir um tempo bom
E de novo esperar a noite
para contar em detalhes
falar da saudade
lembrar os minutos
Aquietar a mente só por mais um dia
para que a vontade
de tudo e nada ao mesmo tempo
passe logo, de uma vez
Mas se você viesse agora já estava bom
E depois eu pensaria o que fazer com os outros dias
e a vontade de você
que me desequilibra

*Oi, voltei! Vamos ver se agora eu atualizo esse blog com mais frequência...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Especialista em generalidades

É comum os jornalistas se depararem com pessoas que deveriam servir como fontes, mas que acabam se ofendendo na hora de perguntinhas ou opiniões. Vou dar um exemplo. Hoje liguei pra uma delegada pra saber como ficaria a situação de um acusado de um crime (não vou dar muitos detalhes porque ela pode estar lendo e querer me prender hehe). Ela simplesmente me mandou procurar na lei.

Acho que todo jornalista que se preze sabe que fonte é aquela que a gente pode pegar (no bom sentido) e sentirá dor se a gente beliscar (algum professor da faculdade dizia isso). Se eu fosse citar a lei como fonte, qual o sentido em ter uma pessoa, com estudo, formação, sentimentos, opinião, etc, em um cargo tão importante? Ao invés de se sentirem honradas pelo serviço que prestam a sociedade que lêem o jornal, elas acham um estorvo procurarmos por elas.

Posso conhecer por cima as leis, a teoria da evolução, a história do Brasil, a biografia do presidente, a regra de três (bem por cima mesmo), mas não posso citar com minhas palavras o que eu penso ou aprendi. É por isso que sou jornalista. Sei de tudo um pouco e o mais importante: devo conhecer quem sabe. Se eu quisesse opinar seria a fonte especialista em determinado assunto ou um colunista.

Se eu estou perguntando e também sou cidadã, qual a chance de inúmeras pessoas nessa cidade, região ou estado também não saberem do assunto? É enorme. Logo, tá aí o dever em explicar, traduzir, tornar mais simples a informação escrita ou falada. É pra isso que servimos, pra sermos mediadores.

Seria tudo mais fácil se cada jornalista se formasse em alguma área específica ao invés de jornalismo, e só desenvolvesse os textos de assuntos que tem conhecimento. Mas aí, todo o sentido da profissão iria por água abaixo. Aliás, deve ter sido isso que pensaram aqueles ministros pensaram quando assinaram uns papeis dizendo que era jornalista não precisava obrigatoriamente ter diploma pra atuar. Na prática a gente percebe que só quando a gente vira repórter ou editor é que as pessoas tem tanta dificuldade em entender pra que serve a profissão.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Fase em depressão

Só quem já sentiu o aperto no peito de uma depressão, independente da intensidade, sabe o quanto essa doença pesa na alma. Incluo aqui aqueles que já se solidarizaram com a dor alheia e conviveram com quem passou por isso.

É inexplicável entender o porquê das lágrimas mesmo sem nenhum motivo aparente, da solidão no meio de muita gente, da força que te puxa de volta pra cama mesmo com o sol lá fora.

Pra mim, que exalo felicidade, sorrio o tempo todo, faço piada de tudo e falo besteiras, foi difícil aceitar que por trás disso tudo, eu estava infeliz. Sempre me gabei da minha fé, da minha gratidão a Deus pela vida, pela saúde, pelos amigos, pelas oportunidades... Mas em determinada época parecia que nada disso era suficiente. Eu sentia um buraco dentro de algum lugar lá dentro onde certamente ficam escondidas as nossas emoções. Era um vazio tão atormentador que tirava meu sono e minha paz.

Eu sentia como se alguém tivesse me arrancado as esperanças em viver. Eu já não era boa o suficiente no trabalho, na faculdade, na família, como amiga ou namorada. Eu olhava no espelho e me sentia feia. Eu ia em festas e via as pessoas se divertindo e aquilo me deixava mal, porque eu não conseguia estar assim também. Quantas vezes, na casa do namorado que eu tinha na época, eu caia no choro sozinha com vontade de ir pra casa, igual criança quando começa a ir pra escola pelas primeiras vezes. Eu me sentia fracassada. Em alguns meses eu tinha me tornado tudo o que eu nunca quis pra mim.

Claro que a depressão não surge do nada. No meu caso, um poço de sensibilidade, vários problemas, durante toda a vida, foram deixando marcas. Essas marcas não vão embora quando tudo fica bem. Elas permanecem com a gente, só que fraquinhas, quase não dão pra ver, mas elas estão ali. Até que uma hora a união de todas elas fez diferença e elas resolveram explodir bem em uma época da vida em que eu estava com os ânimos mais aflorados.

Era final de faculdade, o término de um sonho que eu almejei por anos e que só foi possível por causa da minha fé que eu citei lá em cima, quando eu ainda era forte o suficiente pra conquistar minhas coisas.

Junto com esse medo do final do curso, veio uma doença familiar que refletiu diretamente em mim. A coisa que eu mais detesto no mundo é ver as pessoas que eu amo sofrerem. Eu já tinha perdido o meu pai e só queria paz dentro de casa, mas o pesadelo estava longe de terminar.

Foi aí que eu pirei e quando eu me dei conta, minha mãe e meu irmão tavam implorando pra eu sair do emprego e ir ao médico antes que eu me prejudicasse. Ao contrário do que muita gente pensa, esse não é um momento de fraqueza. Tive que ter muita força pra ir contra minha teimosia e assumir que eu precisava de ajuda. E é só por isso que pude escrever tudo isso.

Essa semana voltei na minha psiquiatra. Fazia seis meses que não a via, já que ela está fazendo tratamento para um câncer e os horários das consultas não batiam. Dessa vez, muita coisa mudou. Hoje ela faz algumas anotações no caderninho dela e eu converso sem aquele aperto no peito que me sufocava.

Já faz cerca de um ano e meio que eu entrei pela primeira vez naquela sala. Com lágrimas nos olhos, eu mal conseguia dizer meia dúzia de palavras. A qualquer momento eu ia desabar. Contei tudo, sem medo de parecer ridícula.

Disse que não via mais sentido no trabalho ou no estudo, que eu tinha um TCC pra terminar e não sabia como fazer isso, falei do pavor de sair de casa, de ficar longe da família. Falei que sentia um sono fora do comum durante o dia, mas a noite o sono não vinha porque eu passava a madrugada chorando. Tinha muita tontura, dor de cabeça e dor de barriga, vontade de comer até explodir, ficava ansiosa só de pensar em sair com as minhas amigas, não tinha mais vontade de estar com meu namorado, nem com homem nenhum.

Agora eu que tenho vontade de perguntar como ela está, como vai o tratamento, mas fico na minha. Ela ainda é a médica da história. Às vezes até fico meio angustiada de ainda estar por ali, sendo que o sofrimento se inverteu. Mas só tenho a agradecer. O papo hoje é meu novo emprego, meu namorado novo, minha pós-graduação...

Talvez eu também a ajude a se recuperar mostrando que ela foi uma das responsáveis por essa mudança na minha vida e o empenho dela como profissional e cidadã tá sendo bem feito.

É claro que as minhas lágrimas ainda caem, mas eu dou conta de enxugá-las antes que molhem o travesseiro. Elas já não atrapalham meu sono e nem meu convívio social. A minha alma está anestesiada e eu tenho certeza que um dia ela vai estar livre de qualquer recaída.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Telefone e ameaça na redação

Em qualquer redação de jornal a realidade é a mesma: o telefone não pára de tocar, as janelas do MSN estão sempre piscando e a caixa de e-mail sempre tem novidades. Por maior que seja a redação (o que não é o meu caso) todos precisam apurar as notícias, escrever e é claro, atender o telefone.

Esses dias pela manhã foi uma ligação atrás da outra, principalmente com reclamações sobre a cidade e até por gente indignada com o que é escrito por colunistas do jornal, querendo uma desculpa ou uma explicação, mesmo que tenha o telefone e e-mail do cara que escreveu ali eles vem cobrar de qualquer um que esteja dentro do escritório, pode até ser a moça do café (se bem que onde eu trabalho, a sucursal é minúscula e todo mundo faz café).

Com essa correria, tem leitor que fica bravo quando os repórteres não dão uma solução imediata, desligam o telefone na cara e gentilezas do gênero. Tem gente que já tá tão cansada de reclamar pra Deus e o mundo que coloca no jornal sua última esperança e exige que a matéria seja publicada o mais rápido possível, como se não houvesse uma organização da página. Eles devem pensar que é só ir enchendo de texto até acabar o expediente e todo ir embora pra suas casas aliviado porque o dia terminou. Até já teve leitor que se ofereceu pra vir até aqui escrever a notícia.

Para quem não está nessa rotina, é difícil entender que o que sai no jornal não é decidido por uma única pessoa. Há uma equipe grande, onde todos precisam estar em sintonia. No fim, os repórteres acabam se acostumando e ouvindo todo o esporro de leitor até entender sobre o que ele está falando e encaminhar para o setor ou editor responsável. Quando o telefone não toca a gente até desconfia do silêncio.

Há mais de uma semana fomos ameaçados por um parente de vítima de assassinato. Por sorte cheguei uns minutinhos atrasada e não vi o barraco, mas as meninas que trampam nos classificados nem tiveram tempo de ler a matéria e deram de cara com o homem querendo bater em todo mundo. Como a gente vê de tudo nesse mundo e o cara fez aquela ameaça super comum: “isso não vai ficar assim”, precisamos de um segurança pra poder trabalhar.

Ontem um adolescente foi assassinado pela polícia e eu tive a coragem de ligar para o pai do guri. O cara só faltava me dar um soco pelo telefone de tão revoltado, como se a culpa fosse minha ou do jornal do filho ter sido morto. Ele disse pra eu cuidar com o que fosse escrito senão eu ia ver só – essa também é uma ameaça comum. O cara nem me deixou explicar que eu queria dar espaço pra ele se defender, já que o guri tava assaltando uma farmácia, mas ele desligou antes que eu pudesse defender a classe e dizer que a gente não inventou nada, a notícia veio da polícia.

No fim, ninguém apareceu por aqui revoltado e sobrevivemos a mais uma semana. Que venha segunda-feira e todos os perrengues do jornal diário...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Ossos (congelados) do ofício

É preciso muita coragem pra sair da redação com o frio que faz na quarta-feira pela manhã no sul do mundo. Pior ainda, é andar de moto-táxi. Há um momento da corrida em que os dedos doem, o vento parece rasgar a pele do rosto (sim, eu sou exagerada) e todo o corpo fica paralisado. Não usei capa porque depois ficaria em uma coletiva e era muita tralha pra carregar e por isso, peguei aquela chuva, que apesar de fininha molha bastante, pra poder tirar fotos de um acidente.

O jeito foi fechar os olhos e torcer para que aquilo acabasse logo. Na volta eu já estava traumatizada e voltei a pé para o jornal. Não que isso seja reconfortante, porque eu tremia do mesmo jeito. Mas pelo menos eu achava que teria um café quentinho me esperando... Quanta ingenuidade! O pessoal aqui da redação é movido a cafeína acabou com o meu único aliado ao frio. Mas eu não posso reclamar, já que não sou eu quem prepara o líquido milagroso... Espero que alguém se solidarize com este depoimento e evite fazer coletivas de imprensa ou bater o carro pela manhã. Se bem que já esquentou um pouco mais, mas as coisas sempre acontecem quando a gente está menos preparada.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Massagem nada empolgante

Não se pode mais passear tranquilamente pelo shopping de Balneário Camboriú sem ser abordado por um vendedor empolgado no melhor estilo Polishop. A geringonça da vez era uma máquina de massagem que curiosamente você mesmo pode passar em seu corpo! Colega, de onde eu venho isso tem outro nome. Mas como sou metida eu aceitei a proposta do vendedor de ser cobaia do negócio.

O homem me colocou sentada na cadeia de tortura. Aí ele perguntou se eu sentia alguma dor. Pra quê tocar nesse assunto? Prontamente já apresentei minha personal fisio Ana Paula, que também tinha sido pega de surpresa. Expliquei que tinha escoliose, retificação cervical, preguicite aguda, dor no cérebro, amor platônico, cartão de crédito no limite. Já busquei tratamento, fiz RPG, pilates, acupuntura, hidroginástica, sessão descarrego, sexo tântrico ... Enquanto isso ele se gabava do aparelho milagroso que melhorava a circulação, diminuia o stress, trazia seu amor de volta em três dias e o mais duvidoso: tirava a celulite. “Não que você precise”, ele disse.

Como eu sou educada eu falei obrigada, mas como também sou realista não pude deixar de acrescentar: “eu sei que eu preciso”. Ah! Odeio vendedores que ficam querendo me iludir. Quantas vezes eu entro na loja e perguntam; é 38 pra ti, né? Vontade de dizer: minha filha, se eu usasse 38 eu não estaria com essa cara abatida de quem está fazendo abstinência de Big Mac!

"Você precisa liberar essa ansiedade", disse ele com a voz afeminada caracterizando todo o seu jeito de ser, mas se esforçando para dar uma de macho e me convencer. Desista baby, não é você que vai curar minha ansiedade.

Ele definitivamente não estava me levando a sério. Quando eu disse que era jornalista ele aumentou a potência do negócio. Vingança, na certa. Todo cara metido a alegre e simpático sempre quis ser jornalista pra trabalhar no TV Fama e ir nas festas de graça.

Eu já estava quase gritando quando ele parou de perfurar minhas costas com aquele treco disfarçado de massageador e quis testar em outras partes do meu corpo (calma gente, este é um blog familiar). Foi a vez da panturrilha. Eu fiquei imaginando o quão broxante pode ser oferecer uma massagem na panturrilha, quando de repente tive a minha natural crise de cócegas, onde um dos sintomas é moleza no corpo e risos involuntários que me impedem de reagir ao inimigo.

E como nada nesse mundo que tenha graça é fácil, ele perguntou se eu gostaria de levar um desse pra casa. Aham Cláudia, senta lá. Meus olhos não brilharam. Eu não pensei em como pude viver todo esse tempo sem um desses. Além do que eu não queria gastar “só” trezentos reais naquilo. Não sei se ele não entendeu bem a parte de que eu sou jornalista = não tenho dinheiro, mas eu usei a velha desculpa: “vou ver com a minha mãe”. Às vezes eu me pergunto até quando poderei usar essa desculpa.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Pior que é verdade...






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